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Perfil de Cores de Dispositivo, Espaço de Cores e Espaço de Trabalho

Perfil de Cores de Dispositivo, Espaço de Cores e Espaço de Trabalho

Perfil de Cores de Dispositivo, Espaço de Cores e Espaço de Trabalho

O perfil de cores de dispositivo representa a essência do gerenciamento de cores atual, tornando-o um sistema muito aberto, flexível e compatível com praticamente todos os tipos de processos de produção gráfica, fotografia e tratamento de imagens atuais.

O que informalmente chamamos de perfil de cores, na verdade é descrito no padrão ICC como perfil de cores de dispositivo, que é um tipo específico da família de perfis de cores que constituem esse padrão. Se você não trabalha com sistemas avançados de gerenciamento de cores, como a maioria dos usuários, muito provavelmente só lidou com perfis de cores de dispositivo. Justamente por ser o tipo de perfil mais usado e comum, é informalmente chamado de perfil de cores simplesmente, enquanto que os demais tipos de perfil de cores são qualificados quando citados, por exemplo: perfil de cores “device link”, perfil de cores abstrato, entre outros.

Esse artigo descreve um tipo específico de perfil de cores, por isso é fundamental que o leitor tenha um conhecimento prévio do que constitui um perfil de cores de um modo geral para compreender esse artigo no seu todo. Caso haja alguma dúvida, sugerimos que acesse o nosso texto sobre perfil de cores, que também descreve os outros tipos de perfil de cores. Como o perfil de cores de dispositivo é o tipo de perfil de cores mais importante e significativo na família dos perfil de cores, há alguma sobreposição do conteúdo desse artigo com o texto mais abrangente indicado acima.

Um perfil de cores de dispositivo foi feito para conter as informações necessárias para correlacionar as cores de um equipamento em particular, usualmente representadas nos sistemas RGB ou CMYK, nas cores de um espaço colorimétrico, e vice-versa. O fato de todos esses perfis estarem correlacionados a um espaço colorimétrico comum, permite que as cores de cada dispositivo sejam facilmente convertidas entre si, conforme a figura abaixo.

Para entender melhor o que são os espaços colorimétricos, recomendamos a leitura de nosso artigo sobre gerenciamento de cores.

Esse formato de perfil de cores padronizado e aberto ajudou a consolidar o gerenciamento de cores como o método padrão para tratar das diferenças naturais entre as cores de cada equipamento envolvido no processo de produção digital de conteúdo a cores. Pois a criação de um perfil de cores passou a ser o único requisito para ter um controle preciso das cores de um dispositivo, independente da sua tecnologia. 

A popularidade e a versalidade do perfil de cores de dispositivo deu origem cores a três sub-divisões deste tipo de perfil de cores, que são o perfil dependente de dispositvo, perfil de espaço de cores e o perfil de espaço de trabalho. Essa nomenclatura está presente em ferramentas profissionais populares, em particular nos softwares da Adobe e geram muitas dúvidas em seus usuários.

Esse artigo busca esclarecer o que são essas três sub-divisões e as diferenças que existem entre cada uma delas. Outra contribuição deste texto é apresentar os espaços de cor mais populares e ajudar na seleção do melhor espaço para a sua necessidade.

Perfis de cor dependentes de dispositivo

Os perfis dependentes de dispositivo, como o nome indica, foram criados para refletir a característica de um equipamento específico ou de um grupo de equipamentos semelhantes. Cada imperfeição ou distorção no comportamento do equipamento fica registrada no perfil, como exemplifica a próxima figura, que mostra em um gráfico as variações presentes nos tons de um scanner real. Vale ressaltar que se o scanner fosse “perfeito”, o que usualmente é uma situação irreal, a figura deveria mostrar três linhas idênticas impecavelmente retas.

Curvas de tonalidade de um scanner, exemplificando as imperfeições naturalmente presentes em equipamentos de captura ou reprodução de cores.

Os perfis dependentes de dispositivos são compostos por grandes tabelas que fazem o mapeamento entre as cores entre as cores do dispositivo, representadas usualmente em RGB ou CMYK e um espaço colorimétrico, Lab ou XYZ. O uso de tabelas é necessário pois é o único modo de capturar todas as imperfeições e particularidades do dispositivos reais, que não podem ser descritos de forma mais suscinta, como por exemplo por equações matemáticas ou matrizes pequenas. A presença das tabelas faz com que esses perfis sejam arquivos grandes, podendo chegar a 10 megabytes, no caso de perfis de precisão de equipamentos CMYK.

Perfis de cores independentes de dispositivo e Espaços de Cores

Os perfis independentes de dispositivos, também chamados de espaços de cores, embora estivessem presentes desde o ínicio do padrão ICC em 1993, tiveram o seu uso disseminado com a inclusão de gerenciamento de cores no Photoshop em 1998. A partir da versão 6.0 desse software, no ano 2000, o gerenciamento de cores não era mais um opcional no Photoshop e não há como desligá-lo. 

A primeira consequência dessa decisão foi a independência das cores do arquivo sendo editado do sistema de cores do monitor. Como gerenciamento de cores passou a estar sempre ativo, cada arquivo manipulado no Photoshop precisaria ter sempre um perfil de cores associado, para que as suas cores pudessem ser transformadas nas cores do monitor, descritas no perfil do monitor. Lembrando que cada conversão de cores no gerenciamento de cores sempre necessita da presença de dois perfis de cores pois sempre usa um sistema de cores colorimétrico como intermediário na conversão, conforme mostra a figura acima. 

Com isso, surgiu a necessidade da criação de perfis de cores genéricos para serem atribuídos aos arquivos sendo editados no Photoshop. Uma característica fundamental para esses perfis genéricos é a presença cores uniformes, para que as edições realizadas nos valores da imagem se refletissem de forma proporcional e harmoniosa nas cores do arquivo. Estes perfis de cores uniformes usualmente são descritos por equações matemáticas ou pequenas matrizes e sempre usam o sistema RGB. São justamente essas equações ou matrizes que efetuam as conversões entre os valores RGB para os valores colorimétricos em CIE Lab ou em CIE XYZ de forma simples, eficiente e direta. Esses perfis de cores, por serem baseados em equações matemáticas, são independentes de dispositivo e normalmente são chamados de espaços de cores. Por usarem equações simples ou matrizes pequenas e não necessitarem de nenhuma tabelas de conversão de cores, os perfis que descrevem os espaços de cores são arquivos muito pequenos, usualmente com menos de 10 kilobytes de tamanho. 

A definição completa de um espaço de cores envolve a definição dos valores colorimétricos das cores primárias e do branco usado pelo espaço de cor, bem como é feita a gradação entre os tons claros e escuros. Existem várias formas de fazer essa gradação, onde a mais popular é usar uma função exponencial conhecida informalmente como gamma, onde os valores de 1.8 e 2.2 para o gamma são os mais comuns.

Existem diversas opções de perfis independentes de dispositivo, ou espaços de cores, cada um projetado para um fim específico. Neste artigo iremos focar nos espaço de cores mais usados, que são o sRGB, o Adobe RGB (1998) e o ProPhoto RGB.

sRGB

sRGB é o espaço de cores mais empregado na prática, sendo um espaço padronizado internacionalmente, possuindo inclusive muita semelhança com o padrão de cores para vídeo HDTV. Foi criado em 1998 pela HP e Microsoft como sendo um conjunto de cores que poderia ser produzido ou reproduzido por equipamentos de uso geral, para o público amador, tais como monitores, scanners e câmeras digitais. Este espaço de cores tornou-se popular, pois era compatível com os monitores CRT existentes na época da sua criação. 

O uso do sRGB é indicado para imagens que serão usadas em sites web ou exibidos em vídeo, uma vez que é compatível com o sistema HDTV atual. Também é o espaço indicado para ser usado para o envio de arquivos para usuários que não tem conhecimento de gerenciamento de cores, pois as cores são representadas em um formato compatível com todos os equipamentos atuais. 

A grande compatibilidade de cores alcançada pelo sRGB tem um preço, a sua gama de cores é a mais restrita entre os espaços de cores populares. Atualmente, praticamente todas as impressoras que conseguem imprimir uma gama de cores superior ao sRGB, havendo inclusive monitores que reproduzem cores mais vibrantes do que as presentes no sRGB. Ou seja, se o objetivo do seu trabalho é produzir cores impressas ou para serem reproduzidas em monitores mais avançados, o sRGB não é a melhor opção a ser adotada.

Adobe RGB (1998)

O espaço de cores Adobe RGB (1998), como o nome indica, foi desenvolvido pela Adobe em 1998 com o objetivo de englobar a gama de cores das impressoras CMYK. O Adobe RGB (1998) possui as mesmas cores primárias azul e vermelha do sRGB, diferenciando-se na verde, mais saturada, o que garante a inclusão de mais cores na região dos tons ciano e verde neste espaço de cor. A comparação entre a gama de cores do Adobe RGB (1998) e do sRGB é ilustrado na figura a seguir.

Gama de cores do sRGB e Adobe RGB (1998) em relação ao total de cores visíveis pelo olho humano

Se compararmos a gama de cores do Adobe RGB com as cores de um equipamento gráfico de impressão offset padrão, segundo a norma ISO 12647-2 adotada no Brasil, veremos que praticamente todas as cores desse processo de impressão são cobertas pelo Adobe RGB (1998). Apenas uma pequena faixa de cores entre os azuis e os verdes não é alcançado. A figura abaixo mostra a comparação da gama de cores do Adobe RGB com um equipamento de impressão offset que opera dentro da norma ISO 12647-2, que é o padrão brasileiro e internacional para esse tipo de impressão.

Gama de cores do Adobe RGB (1998) e uma equipamento industrial de impressão offset, segundo a norma ISO 12647-2, comparado com o total de cores visíveis pelo olho humano.

ProPhoto RGB

ProPhoto RGB foi proposto pela Kodak com o nome original de ROMM RGB em 2000. Foi desenvolvido com objetivo de criar um espaço de cores para armazenamento, manipulação e intercâmbio de imagens sem impor limitações à gama de cores da imagem. Para atingir esses objetivos, o ProPhoto RGB tem uma gama de cores muito grande, englobando grande parte das cores visíveis pelo olho humano, conforme mostra a figura a seguir.

Gama de cores dos espaços sRGB, Adobe RGB (1998) e ProPhoto RGB quando comparados ao total de cores visíveis pelo olho humano

A imensa gama de cores do ProPhoto RGB, de início era vista por muitos como sendo um exagero, hoje em dia é uma necessidade real. Temos equipamentos de impressão capazes de reproduzir uma gama de cores muito grande. Por exemplo, na figura abaixo, temos a comparação das cores de uma impressora Epson Pro 9900, um equipamento profissional lançado em 2009 dotado de tintas laranja e verde para aumentar o alcance das cores reproduzidas, com o ProPhoto RGB. Como podemos ver claramente neste exemplo, já existem equipamentos cuja extensão cromática requer o uso de espaços de cor com grande volume de cores para que todo o seu potencial seja usado.

Gama de cores do ProPhoto RGB e de uma impressora Epson Pro 9900 comparadas com o total de cores visíveis pelo olho humano

O Prophoto RGB ficou popular com o crescimento do uso do formato RAW em câmeras digitais. Tornou-se a escolha natural dos fotógrafos que desejam preservar toda a gama de cores presente na imagem, uma vez que é um espaço com cores extremamente abrangentes. Muitos softwares de processamento RAW usam o ProPhoto RGB internamente como espaço de cores para a produção da imagem final, mesmo que esta imagem possua um espaço de cor com uma gama de cores mais limitada, por opção do usuário.

O uso do Prophoto RGB é muito recomendável mas deve ser empregado com muita atenção, principalmente pelos iniciantes. Por ser um espaço com uma gama de cores muito grande, para que não haja posterização nas transições de cores, é aconselhável restringir o seu uso a imagens representadas em 16 bits por pixel. Também deve-se ter muito cuidado no envio de arquivos com esse espaço de cores para usuários não familiarizados com gerenciamento de cores. Por ter cores primárias muito distintas do sRGB, que é a representação de cores mais provável dos equipamentos usados pela grande maioria dos usuários, se um arquivo com cores no formato do ProPhoto RGB for visualizado ou manipulado sem os recursos do gerenciamento de cores, certamente a aparência das cores será muito diferente da desejada. 

Como o Prophoto é um espaço que pode exigir um fluxo de trabalho distinto quando é necessário converter as cores de uma imagem nesse espaço para o sRGB e o Adobe RGB, a Colorpixel desenvolveu perfis de cores especializados para esse fim, que podem ser obtidos aqui.

O caso especial dos perfis CMYK

Um detalhe importante que passa desapercebido por muitos usuários de gerenciamento de cores é que os perfis CMYK sempre são dependentes de dispositivo, pois refletem um processo de impressão específico. Este é o motivo que deve-se usar perfis RGB, em particular perfis RGB independentes de dispositivo, quando gerar arquivos que serão usados em meios distintos, por exemplo na impressão offset e na web.

O que causa muita confusão no uso dos perfis CMYK é o fato de haver diversos processos 

Uma complicação adicional no uso de arquivos CMYK é que a conversão de cores entre dois perfis CMYK distintos muitas vezes exige um tipo diferente de perfil, que não é um perfil de de dispositivo, e é chamado de perfil “device link”. Tais perfis ficaram um pouco mais populares desde que o Photoshop na versão CS4 em 2008 passou a suportá-los, mas só são usados em situações específicas. Como o objetivo desse artigo não é tratar sobre perfis “device link”, indicamos o nosso artigo sobre perfil de cores, para os interessados em conhecer um pouco mais sobre os outros tipos de perfis, inclusive o “device link” em questão.

Espaços de trabalho ou Workspaces

O conceito de color workspace ou espaço de cor de trabalho foi introduzido pelo Photoshop, posteriormente incluído em outras ferramentas da Adobe, e nada mais é do que o nome do perfil de cor usado por default no Photoshop e demais ferramentas caso o arquivo sendo manipulado não possua um perfil associado a ele. O conceito de espaço de trabalho reflete bem a filosofia por detrás do uso de perfis independentes de dispositivo. Nesta abordagem, os arquivos são manipulados e armazenados com perfis independentes de dispositivo e somente são convertidos para um perfil dependente de dispositivo no último instante, usualmente gerando uma nova cópia do arquivo, onde o “original” é mantido em um espaço independente de dispositivo.

O Photoshop e as outras ferramentas da Adobe possuem workspaces para imagens RGB, CMYK e em tons de cinza, o que gera uma certa confusão, pois alguns usuários ficam com a impressão que o perfil usado como workspace CMYK é um espaço de cores independente de dispositivo. Como explicamos anteriormente, não existem espaços de cores independentes de dispositivo CMYK. O workspace CMYK apenas representa o espaço CMYK a ser usado por default nas ferramentas da Adobe, caso o a imagem CMYK não possua um perfil associado, que sempre será dependente de dispositivo. 

Mesmo sabendo que o Photoshop atribui perfis default para os arquivos que não possuem perfil associado, recomendamos fortemente que todos os arquivos incluam um perfil de cor anexado. Esse cuidado elimina a possibilidade de erros no caso de mudanças na configuração do Photoshop, ou no envio do arquivo para usuários que usam configurações de cores distintas neste aplicativo.