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Gerenciamento de Cores

Gerenciamento de Cores

O gerenciamento de cores é a única abordagem profissional para a obtenção de cores consistentes na produção digital, seja nas artes gráficas ou na fotografia. Baseado em métricas e processos estruturados, possibilita cores uniformes durante todo o processo de produção de conteúdo digital. É indispensável para quem deseja qualidade na produção, reprodução ou impressão de conteúdo digital.

Podemos definir o gerenciamento de cores como sendo o uso combinado de equipamentos de medição de precisão, software e procedimentos para manter a consistência das cores entre os diferentes dispositivos da produção digital de imagens e documentos, desde a sua captura, edição até a impressão final.

Em poucas palavras, são os procedimentos e tecnologias necessários para garantir que as cores sejam consistentes em todo processo de produção de conteúdo digital, desde a concepção até a arte final.

Cores: desafio da era digital

Na era digital, cada equipamento de captura, visualização ou impressão possui um sistema de cores próprio e sempre que uma imagem for transferida de equipamento, há distorção de cores.

Essa questão está claramente ilustrada na imagem abaixo:

Monitores em uma loja de informática, cada um com uma aparência de cores distinta

As imagens produzidas por monitores são geradas pelo sistema RGB (red, green and blue): cada pixel é especificado por três números que correspondem aos percentuais das cores primárias do monitor – vermelho, verde e azul – que entraram na composição da cor em questão. Combinadas, as cores primárias formam todas as cores exibidas na tela.

Uma mesma imagem RGB reproduzida em dois monitores distintos pode apresentar cores com uma aparência diferente de uma tela para outra. Essa diferença ocorre, em grande parte, porque as cores primárias de cada monitor são diferentes e, portanto, os percentuais indicados pelos valores R, G e B da imagem produzem cores também distintas. Além disso, a maneira como as três cores primárias se combinam tampouco é uma operação uniforme de um monitor para outro: cada um deles realiza essa soma de forma distinta, o que também contribui para a disparidade de cores entre monitores.

Ocorrem diferenças análogas também na impressão de imagens. Se uma imagem no sistema de cores CMYK for impressa em equipamentos diferentes ou por meio de tecnologias de impressão distintas, a aparência das cores nas impressões será diferente, embora os valores C, M, Y e K da imagem sejam os mesmos. Para ilustrar a diferença entre as cores obtidas por tecnologias de impressão distintas, a imagem abaixo mostra as cores CMYK de três tipos comuns de impressão: inkjet, offset e laser.


Cores primárias CMYK de impressora ink-jet (superior), offset (centro) e laser (inferior)

Essa diferença nas cores primárias CMYK pode parecer sutil à primeira vista, mas gera diferenças relevantes na impressão final. Se imprimirmos um mesmo arquivo nos três equipamentos ilustrados no exemplo anterior, obteremos três impressões com cores distintas, como mostra a imagem abaixo:


O mesmo arquivo impresso em impressoras ink-jet (esquerda), offset (centro) e laser (esquerda)

As diferenças nas cores acontecem porque os valores R, G e B ou C, M, Y e K são medidas de cores relativas e não absolutas, pois dizem respeito ao sistema de cores próprio e único de cada equipamento.

Com a universalização da tecnologia digital e da edição eletrônica de documentos e imagens, o intercâmbio de arquivos passou a gerar infinitas combinações de sistemas de cores de dispositivos. O resultado é que a relatividade de sistemas de cores RGB ou CMYK tornou-se um problema muito maior.

A falta de consistência entre as cores dos dispositivos afeta diretamente a qualidade dos trabalhos digitais e a produtividade do profissionais envolvidos no processamento digital de imagens, que se veem obrigados a ajustar as cores por “tentativa e erro”. Isso consome tempo e insumos de impressão, muitas vezes sem que se chegue à qualidade desejada. Somente com a abordagem estruturada e precisa do gerenciamento de cores é que se obtêm o controle e a uniformidade da aparência das cores na produção digital de conteúdo.

Como funciona o gerenciamento de cores

Lidar com as diferenças na aparência das cores dos equipamentos digitais é o campo de atuação do gerenciamento de cores. Seu principal objetivo é garantir a uniformidade das cores durante o processamento digital das imagens.

De maneira bem resumida, o gerenciamento de cores mede precisamente as características particulares das cores de cada equipamento e, em seguida, com base nas medidas realizadas, converte as cores dos arquivos digitais, para que se mantenham consistentes em cada equipamento envolvido no processamento das imagens.

O gerenciamento de cores se baseia em três conceitos principais, conhecidos como os “Três C”: caracterização, calibração e conversão.

Caracterização

O primeiro princípio do gerenciamento de cores tem o objetivo de medir precisamente as cores de um dispositivo envolvido no processamento digital de imagens. Quantificam-se as cores de um dispositivo por meio da correlação do sistema de cores particular do equipamento, seja RGB ou CMYK, com um sistema de cores absoluto e independente de qualquer dispositivo ou tecnologia. A partir dessa correlação, é possível obter valores precisos e universais para as cores capturadas ou geradas pelo dispositivo.

Os sistemas de cores absolutos e independentes são construídos a partir das características mais fundamentais que definem as cores dos objetos: suas propriedades físicas, a iluminação e a maneira como o ser humano os percebe e distingue.

Os sistemas de cores absolutos usados no gerenciamento de cores são o CIE Lab e o CIE XYZ. Como o nome indica, esses espaços de cores colorimétricos foram padronizados pela Commission Internationale de l’Eclairage – CIE, uma entidade internacional que se dedica à cooperação e à troca de informações em todas as áreas relacionadas à luz, iluminação, cor, visão e tecnologia de imagem. O CIE XYZ foi criado em 1931, constituindo um dos primeiros modelos colorimétricos da percepção humana das cores, e é bastante usado até hoje. Já o CIE Lab foi desenvolvido em 1976 e, embora já existam espaços de cores mais modernos, como o CIECAM02, o CIE Lab continua a ser o espaço de cores colorimétrico mais usado.

A caracterização, portanto, é o processo de mapear a representação de cores particular de um equipamento – os valores RGB ou CMYK – em um sistema de cores padrão, como o CIE XYZ ou CIE Lab.

Esse mapeamento é obtido por meio de instrumentos especiais de medição de cores: os espectrofotômetros e colorímetros. Os espectrofotômetros, por serem instrumentos mais sofisticados e, geralmente, mais caros, são apropriados para caracterizar equipamentos de impressão e monitores. Os colorímetros, por sua vez, por serem mais simples e baratos, normalmente se limitam á medição de monitores.


Caracterização de uma impressora com espectrofotômetro

Já a caracterização de câmeras fotográficas e scanners se dá a partir de padrões de cores cujos valores colorimétricos foram medidos previamente. Os padrões de cores para scanners são cromos ou impressões fotográficas que contêm centenas de amostras de cores. Os padrões de cores para as câmeras fotográficas são impressões com dezenas ou centenas de cores, formadas a partir de pigmentos especiais que geram cores importantes para o mundo fotográfico, tais como tons de pele, céu, folhagens, entre outras.


Padrões de cores para caracterização de máquinas fotográficas (acima a esquerda) e scanners (abaixo e a direita)

O resultado da caracterização de um equipamento, na prática, é a elaboração de uma grande tabela que correlaciona as cores RGB ou CMYK do dispositivo com os valores de sistemas de cores padronizados. Essa tabela tem a função de “traduzir” um sistema de cores particular para um sistema colorimétrico absoluto e totalmente independente do equipamento, e vice-versa.

Calibração

Antes de efetuar a caracterização das cores de um equipamento, é importante assegurar que o dispositivo esteja em perfeitas condições de uso. Ou seja, é importante que esteja devidamente regulado e ajustado no momento da caracterização.

Essa regulagem é chamada de calibração: o processo de alterar as características de um equipamento para que opere em condições otimizadas, especificadas pelo fabricante ou por padrões de mercado.

Por exemplo, a calibração de um monitor consiste, entre outros ajustes, em regular os controles de brilho e contraste para obter boas condições de visualização. Já no caso de impressoras CMYK, a calibração inclui os ajustes das curvas de linearização de cada uma das quatro tintas do equipamento. Em impressoras de jatos de tinta, a calibração também inclui a definição dos limites de tinta que a mídia consegue absorver.

A calibração de impressoras CMYK avançou muito com o advento do método G7, que uma metodologia de calibração que contribui diretamente sobre a qualidade e estabilidade de cores da impressão baseada no balanceamento dos tons de cinza (griz) da impressão. Outro grande diferencial do G7 é o fato de ser o primeiro método totalmente independente da tecnologia de impressão, podendo ser aplicado em qualquer equipamento impressor CMYK, tais como jato de tinta, incluíndo sublimação e grande formato, offset, flexografia, eletrofotográfico, entre outros.

Muitos usuários se referem informalmente ao processo de caracterizar um equipamento como “calibração”. Isso acontece devido à relativa popularidade dos chamados softwares de calibração de equipamentos que, na verdade, realizam a calibração e a caracterização em conjunto.

Conversão

De posse das informações de caracterização dos equipamentos envolvidos na produção de uma imagem, é possível converter as cores de cada um deles para um sistema colorimétrico independente, e vice-versa. Como os sistemas colorimétricos são absolutos, podemos usá-los como intermediários entre duas conversões, a primeira para transformar as cores de um equipamento de entrada em um sistema colorimétrico; e a segunda para levar esse sistema colorimétrico para as cores de um equipamento de saída.

Por exemplo, convertendo as cores do sistema RGB de um scanner no sistema de cores CMYK de uma impressora, é possível imprimir uma foto digitalizada pelo scanner nessa impressora em particular, mantendo-se a aparência e a percepção das cores do original digitalizado.

Ou seja, é por meio das informações de caracterização dos equipamentos e de mecanismos de conversão que o gerenciamento mantém a aparência das cores constante no decorrer de todo o processamento digital.

Perfil de Cores

No gerenciamento de cores, as informações necessárias para a caracterização de dispositivos e para a conversão de cores estão embutidas no que chamamos de perfil de cores.

O perfil de cores é um dos principais elementos dos sistemas de gerenciamento de cores, pois contém as informações da caracterização de um dispositivo e também é empregado para realizar conversões de cores. Um perfil de cores é um formato de arquivo padronizado para armazenar tabelas ou equações matemáticas, geradas a partir de informações colorimétricas. Por se tratar de um arquivo padronizado, um perfil de cores permite que diversos softwares de edição de imagens e editoração eletrônica utilizem informações colorimétricas contidas nele e realizem operações de transformação de cores.

Esse formato de perfil de cores padronizado e aberto ajudou a consolidar o gerenciamento de cores como o método padrão para tratar das diferenças naturais entre as cores de cada equipamento envolvido no processo de produção digital de conteúdo a cores. Pois a criação de um perfil de cores passou a ser o único requisito para ter um controle preciso das cores de um dispositivo, independente da sua tecnologia. 

O perfil de cores é um tema tão importante no contexto do gerenciamento de cores, que produzimos um artigo a parte somente para explicar em detalhes o que é um perfil de cores, que pode ser acessado nesse link.

Gerenciamento de cores: muito além da tecnologia

O gerenciamento de cores eficiente é mais que o simples manejo de um software ou a criação de perfis para os equipamentos de uma empresa. Sua implantação envolve mudanças no processo e no fluxo de trabalho, o que implica a renovação de hábitos e costumes. Seu custo e complexidade são proporcionais à exigência de precisão do cliente.

Para usuários com demandas mais simples, o investimento se restringe ao equipamento e software para calibração de monitores.

Para demandas profissionais e mais complexas, são necessários softwares, monitores e equipamentos de medição especializados, que oferecem precisão nos perfis e na conversão de cores. Seu custo é diretamente proporcional à qualidade desejada.