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Como Calibrar Monitor

Como Calibrar Monitor

Como Calibrar Monitor

Calibrar monitor é essencial! Repita isso em voz alta três vezes!

Se você trabalha com qualquer tipo de conteúdo visual, ter o monitor do seu computador calibrado é requisito básico para produzir conteúdo de qualidade profissional. Nesse texto vamos te explicar tudo sobre como calibrar monitor, porque usar o calibrador de monitor ou colorímetro é fundamental para obter uma calibração de monitor precisa e também, qual a diferença entre os monitores comuns e os profissionais. Vamos explicar ainda, a calibração de monitores de vídeo que não estão conectados a um computador.

Calibração do Monitor

Os profissionais que criam conteúdo visual passam muito tempo diante de monitores de computador apenas para descobrir que as cores do produto final – seja uma impressão em papel ou tecido ou um curta-metragem de animação para celulares – não correspondem exatamente às do projeto que visualizavam em suas telas. A falta de consistência na reprodução das cores pode deixar os clientes insatisfeitos, mas, principalmente, gera retrabalho e perda de produtividade para o criador de conteúdo, porque a tendência é corrigir as discrepâncias via tentativa e erro.

E, no entanto, é possível evitar esse desgaste com a implantação do gerenciamento de cores no decorrer de toda a cadeia produtiva do conteúdo visual, a começar por um procedimento relativamente simples conhecido como calibração do monitor.

Neste artigo, abordaremos a importância de calibrar o monitor, para quais profissionais a calibração é recomendada, quais são as etapas e os equipamentos necessários, sua relação custo-benefício e os principais ajustes que devem ser feitos, em monitores conectados tanto a computadores quanto a displays de vídeo.

Por que calibrar o monitor

Colorpixel - Imagem do medidor e fita métrica para Colorímetro.
Monitor com equipamento de medição de cores

O monitor é a referência visual em qualquer trabalho que manipula imagens – ilustrações, vídeos, fotografias, outros elementos gráficos etc. É o equipamento que orienta o profissional durante o desenvolvimento do projeto. Um monitor descalibrado exibe cores que não correspondem às cores reais do projeto desenvolvido pelo criador de conteúdo visual, e isso é indesejável.

Ao calibrar seu monitor, você pode trabalhar com a confiança de que aquilo que vê na tela corresponderá exatamente ao resultado que obterá ao fim do processo. O monitor calibrado é essencial para que profissionais de qualquer área relacionada à criação de conteúdo visual consigam avaliar com precisão a qualidade do trabalho executado.

Uma coisa importantíssima a considerar é que, atualmente, todas as ferramentas profissionais de edição de imagens, criação de elementos gráficos e editoração eletrônica (por exemplo, Adobe Creative Suite e CorelDRAW) já incorporam o gerenciamento de cores e pressupõem que o usuário possui um monitor devidamente calibrado – o que, na maioria das vezes, está longe de ser verdade. E o motivo é simples: os monitores, sejam profissionais ou comuns, dificilmente vêm calibrados de fábrica.

Monitores profissionais vs monitores comuns

Quando pensamos em trabalhos visuais, como a edição de imagens e vídeos, é importante escolher o monitor correto. Buscando economizar dinheiro ou aumentar o rendimento, muitas pessoas e até mesmo empresas investem em monitores de varejo, considerados mais baratos, mas os resultados produzidos por esse equipamento podem ser bem diferentes do esperado.

Um monitor comum não permite que o profissional visualize as cores que uma impressora ou mesmo um celular avançado é capaz de produzir. E as impressoras e os celulares estão cada vez mais tecnológicos, permitindo cores cada vez mais realistas.

Vale a pena destacar que os monitores comuns geralmente apresentam a gama de cores do sRGB, ao passo que os monitores profissionais usam o espaço de cor Adobe RGB, mais próximo das cores produzidas pelas impressoras, ou DCI-P3, presente nos celulares mais modernos. O sRGB é o padrão dos monitores convencionais, pois estes sempre seguiram os padrões da televisão que, até a chegada do sistema HDTV, empregava o REC. 709, praticamente igual ao sRGB.

Comparação entre sRGB, Adobe RGB e DCI-P3

Comparação entre sRGB, Adobe RGB e DCI-P3, onde nota-se que o Adobe RGB é superior nos tons esverdeados, enquanto o DCI-P3 é superior nos amarelados e avermelhados

Com a evolução para a resolução 4K, hoje temos televisores com uma gama de cores bem maior e no padrão DCI-P3. Esse é o padrão do cinema digital, presente também nas telas ou monitores dos produtos Apple desde 2015, nos celulares da Samsung desde 2016 e nos da Xiaomi desde 2018.

A presença cada vez mais comum de monitores ou telas com uma gama de cores maior indica que o fim do reinado do sRGB está próximo.

Os monitores profissionais são mais caros, mas isso não implica um custo-benefício menor. Utilizando-se um monitor de qualidade, é possível obter a mesma gama de cores presentes nas impressoras ou celulares avançados atuais, permitindo que a visualização no monitor reflita precisamente o que, mais adiante, será impresso ou visto no celular. Com um monitor comum, limitado ao espaço sRGB, a aparência das cores será menos vívida do que a das cores finais no impresso ou no celular, sobretudo no que diz respeito aos tons esverdeados. Isso torna o trabalho de edição no monitor muito menos preciso e produtivo, pois provavelmente serão necessários muitos testes de impressão ou visualização no celular para verificar as cores finais, já que aquilo que se vê no monitor não reflete adequadamente o produto final.

Mesmo entre os monitores profissionais, há muitas diferenças técnicas que normalmente se refletem no preço de cada um deles. Existem desde monitores profissionais que apenas possuem uma gama de cores maior, monitores com maior precisão na calibração ou maior uniformidade de cores por toda a tela. Os mais caros, além das características já citadas, podem ser configurados para simular outro monitor ou incluir um perfil de cores, o que possibilita que até mesmo as aplicações que não suportam gerenciamento de cores tenham as cores certas. Infelizmente, um monitor tão avançado pode custar até 16 mil reais.

Cabe ao profissional ou à empresa avaliar as características técnicas dos monitores e identificar as melhores configurações para suas necessidades no que diz respeito à qualidade das cores, além da compatibilidade com o orçamento disponível. Hoje é possível encontrar diversas opções de monitores de boa qualidade a preços acessíveis. Praticamente qualquer monitor das marcas populares à venda no Brasil – Samsung, LG etc. – conta com a tecnologia IPS, um grande avanço na qualidade das cores dos monitores de computador. Alguns fornecedores – a Dell, por exemplo – já oferecem monitores profissionais com preços bem mais próximos aos dos monitores convencionais.

No entanto, mesmo que você opte por um monitor profissional mais robusto – o que é indicado para projetos gráficos de ponta –, sempre será necessário calibrar o monitor, pois nem mesmo os monitores mais caros vêm calibrados de fábrica.

Os monitores mais avançados possuem um calibrador integrado e até podem ser programados para passar por ajustes periódicos e automáticos. A calibração de monitores comuns exige equipamento e software especiais, como veremos mais adiante.

Para quem a calibração de monitores é indicada

A calibração do monitor pode parecer algo voltado apenas para um público seleto, mas a verdade é que esse procedimento – o primeiro passo do gerenciamento de cores – é essencial para qualquer profissional que trabalhe com conteúdo visual, principalmente no computador. Os sistemas operacionais Windows e Mac OS oferecem suporte total ao gerenciamento de cores, tanto é que o arquivo gerado pelo software de calibração é instalado na pasta indicada pelo sistema operacional e reconhecido pelas ferramentas de configuração como o perfil de cores associado ao monitor. No entanto, apenas os programas profissionais de design e fotografia, tais como as ferramentas da Adobe e o CorelDRAW, realmente fazem uso do perfil de cores. O pacote Office da Microsoft, por exemplo, ignora totalmente o gerenciamento de cores. Para usufruir plenamente dos benefícios da calibração, você precisa visualizar seu projeto em uma aplicação profissional.

Portanto, se você é ilustrador, fotógrafo, colorista de vídeo, se trabalha em uma empresa gráfica, é designer ou exerce atividade profissional relacionada, está na hora de calibrar o monitor.

O que é calibração de monitor?

A calibração de um monitor propriamente dita consiste em ajustar as configurações de brilho, contraste e temperatura de cores, entre outras, para que o equipamento opere em condições otimizadas.

Essa é, no entanto, apenas a primeira etapa do processo.

A segunda etapa, chamada de caracterização, consiste na criação de um perfil de cores para o monitor. O perfil de cores é um arquivo que estabelece a relação entre a representação de cores particular de um equipamento com um sistema de cores absoluto e padronizado, como o CIE XYZ ou CIE Lab. É esse arquivo que permite a conversão das cores de um monitor para as cores de uma impressora, por exemplo, garantindo a consistência em sua reprodução.

Os softwares mais populares utilizados para calibrar os monitores realizam a calibração e a caracterização em conjunto, daí o uso informal do termo “calibração” para se referir ao processo todo, e não apenas à primeira etapa.

Métodos e ferramentas de calibração de monitor

Discutiremos aqui três maneiras de calibrar o monitor:

  • ajustes que se baseiam na percepção visual do usuário;
  • o uso de um calibrador de monitor conhecido como colorímetro;
  • a combinação de colorímetro e espectrorradiômetro para calibrar o monitor profissional.

Percepção visual: o método que não funciona

Muitos usuários, inclusive corporativos, preferem a chamada calibração visual por ser um procedimento de baixo custo, que dispensa o uso de equipamento específico e se baseia inteiramente em softwares.

O grande problema é que a calibração visual é uma ilusão. O olho humano não é uma boa referência para cores, podendo ser facilmente enganado. Nem sempre percebemos as cores como elas realmente são, principalmente em um monitor.

Nos cursos de gerenciamento de cores, é comum sugerir aos alunos um exercício simples para mostrar que a calibração visual não funciona. Cada aluno calibra visualmente seu monitor, sem olhar para o equipamento dos colegas. No fim da atividade, a comparação dos monitores claramente mostra que estão todos totalmente diferentes uns dos outros.

A calibração visual, portanto, nunca é recomendada. Seus resultados estão longe de serem precisos e podem acarretar retrabalho e custos adicionais.

Colorpixel - Imagem do medidor e fita métrica para Colorímetro.Colorímetro

O colorímetro é o único calibrador de monitor que oferece resultados realmente precisos. Esse dispositivo é composto de três sensores de cor que permitem a medição dos valores colorimétricos absolutos XYZ que correspondem aos valores RGB específicos do monitor. É responsável, portanto, pela etapa de caracterização da calibração.

Um bom colorímetro pode ser adquirido nos EUA a partir de 300 dólares e já atende às demandas de grande parte dos usuários. Para profissionais que necessitam de um grau maior de precisão, existem colorímetros mais avançados, com custos proporcionalmente mais elevados.

Colorímetro e espectrorradiômetro

Apesar de o colorímetro ser o equipamento ideal – e fundamental – para a calibração correta de um monitor, o aparelho vem configurado para medir as cores de monitores convencionais que adotam o espaço sRGB. Em dispositivos comuns, portanto, o colorímetro pode ser aplicado sem nenhuma ação extra.

No entanto, para que funcione corretamente em monitores profissionais – que não são tão homogêneos em relação ao espaço de cor quanto os convencionais –, o colorímetro também deve ser calibrado: precisa ser adaptado aos monitores com um padrão de cores mais elevado. O equipamento necessário para a calibração do colorímetro é o espectrorradiômetro, que apresenta um custo bem mais alto.

Calibração e caracterização do monitor do computador

Quando se ajusta um monitor de vídeo conectado a um computador, são várias as alterações necessárias. Além de efetuar alterações no próprio monitor, a configuração da placa de vídeo do computador é atualizada e o perfil de cores é instalado no diretório reservado pelo sistema operacional para o armazenamento de perfis. Com isso, as aplicações podem usufruir do perfil criado. Como essa operação realiza ajustes no monitor e no computador, caso o monitor seja transferido para outro computador, todo o processo terá de ser refeito. Por isso, profissionais que trocam seus monitores com frequência devem ficar atentos à calibração.

A primeira parte do ajuste de cores de um monitor é a calibração: o monitor e a placa de vídeo são regulados para se chegar aos parâmetros mais adequados para a edição de imagens, ilustrações ou editoração eletrônica de documentos.

Os principais itens a serem configurados são a luminosidade do monitor, o equilíbrio de branco, o contraste máximo e o controle dos tons de cinza na placa gráfica. Na maioria dos monitores, esses ajustes são feitos individualmente pelo usuário, com a ajuda de um software de calibração.

Já nos monitores mais avançados, o software realiza todos os ajustes automaticamente. Dessa maneira, o usuário não precisa ajustar cada detalhe do aparelho.

Luminosidade

A luminosidade do monitor é um dos principais ajustes a serem feitos durante a calibração. Gera impacto principalmente na visualização de imagens que serão impressas ao final do processo de edição. Se a luminosidade do monitor estiver muito alta, o usuário terá a sensação de que suas impressões ficaram muito escuras.

As condições ideais normalmente envolvem uma luminosidade de 100 a 120 cd/m2 para o monitor propriamente dito, mas a claridade do ambiente ao redor do monitor também precisa ser controlada.

A iluminação do campo visual ao redor do monitor é tão importante quanto a do monitor em si, e nesse caso a intensidade máxima recomendada é de 60 a 70 cd/m2. A luz no resto do ambiente, por sua vez, tem de estar entre 32 e 64 cd/m2, uma iluminação bem mais escura que a de um ambiente de trabalho usual.

Essas condições são fundamentais para a boa visualização da claridade e do contraste das imagens no monitor. Normalmente, a configuração de fábrica do monitor apresenta uma luminosidade bem superior a 100 cd/m2.

Além disso, é preciso considerar que a luminosidade no entorno do monitor e a luz ambiente também são superiores aos valores recomendados. Por isso, é comum que uma imagem que parecia correta no monitor se apresente com cores mais escuras na impressão.

Uma dúvida muito frequente sobre o gerenciamento de cores diz respeito ao brilho da impressão. Muitas impressões ficam excessivamente escuras, e o profissional não sabe o que pode ter dado errado. A resposta é simples: é provável que o monitor de vídeo esteja muito claro.

É recomendável que o campo visual em volta do monitor apresente apenas cores neutras. Além disso, também é preciso controlar a luminosidade no momento de visualizar a impressão: 500 cd/m2 é o valor adequado para a iluminação da imagem impressa quando comparada à mesma imagem vista no monitor.

Equilíbrio de branco

O equilíbrio de branco (white balance) determina o tom escolhido para ser o branco do monitor. As opções mais comuns são D50 e D65, duas tonalidades de branco padronizadas que se baseiam na luz do sol. Outra opção é usar o tom de branco nativo do monitor.

O D50 é o padrão da indústria gráfica, mas, muitas vezes, seu uso em monitores que não sejam topo de linha dão às cores uma aparência excessivamente amarelada. Com isso, o D65, o padrão da indústria fotográfica, costuma ser empregado também.

Como muitos monitores atuais apresentam uma temperatura de cor intrínseca próxima à do D65, também é possível calibrar o monitor sem alterações no seu equilíbrio de branco. O uso do equilíbrio de branco nativo geralmente facilita o ajuste dos tons de cinza. Isso pode resultar em uma gama de cores maior no monitor.

Se a imagem do monitor não for comparada diretamente a uma imagem impressa, o equilíbrio de branco nativo do monitor é sempre a melhor opção.

Contraste máximo

Os monitores atuais têm um contraste excelente: muitos excedem a proporção 1000:1, o que significa que o tom mais escuro de preto é mil vezes menos luminoso que o tom mais claro de branco. Embora permitam grande beleza na reprodução das imagens, esses níveis de contraste dificilmente são obtidos nas imagens impressas.

Em geral, a impressão apresenta contraste máximo em torno de 300:1. Por esse motivo, muitos profissionais que trabalham com imagens impressas optam por reduzir o contraste do monitor. Consequentemente, as imagens visualizadas na tela ficam mais próximas às imagens finais.

Controle dos tons de cinza

A reprodução dos tons de cinza é diferente em cada monitor. Para normalizar as transições entre os tons de cinza, é fundamental definir como isso ocorrerá.

Escala de tons de cinza

Escala de tons de cinza

Para que sejam proporcionais ao olho humano, as transições costumam seguir uma função exponencial chamada gama. Os valores de gama 1.8, 2.2 e 2.4 são comuns.

Atualmente, os softwares de calibração configuram a transição entre os tons de cinza de acordo com o sistema CIE Lab, que é exatamente proporcional à visão humana.

Além de garantir a transição correta, a calibração dos tons de cinza do monitor garante que estes sejam realmente neutros. Ou seja, quando você enviar ao monitor uma cor neutra – na qual os valores R, G e B são iguais –, o equipamento vai reproduzir um tom de cinza absolutamente neutro.

É importante que o monitor reproduza as cores neutras de maneira correta. No entanto, nem todas as aplicações usam perfis de cores. Por isso, o ajuste dos tons de cinza deve ser configurado na placa de vídeo ou diretamente no monitor no caso de equipamentos topo de linha.

Dessa forma, não só os tons de cinza estarão absolutamente corretos em todas as aplicações, como o processo de caracterização do monitor será mais fácil, pois não precisará lidar com problemas na reprodução dos tons de cinza.

Perfil de cores

Até aqui, mostramos a importância de calibrar o monitor. Configurar a luminosidade, o equilíbrio de branco, o contraste máximo e os tons de cinza garante um monitor em ótimo estado de funcionamento, mas é apenas uma parte do processo. Agora é o momento de medir as cores – o processo de caracterização – para criar um perfil de cores.

A criação do perfil de cores, embora seja a etapa que emprega mais tecnologia, é uma tarefa totalmente automatizada pelos softwares de geração de perfis. O usuário apenas determina os parâmetros a serem usados na geração do perfil.

A partir disso, o software passa a exibir diversas cores no monitor e coordena a leitura dessas cores pelo colorímetro. Por fim, gera um perfil de cores e o instala no sistema operacional do computador.

Calibração e correção do monitor do dispositivo de vídeo

No caso da produção de vídeos, muitas vezes o equipamento responsável pela reprodução não é um computador e, portanto, a calibração e a correção dos monitores exigem uma abordagem diferente.

O gerenciamento de cores para vídeo nos dias atuais usa a especificação de um display de vídeo como referência absoluta para a determinação da aparência das cores da imagem. O arquivo de vídeo precisa ser adequado ao display de referência e não pode ter nenhum perfil associado a ele.

Diversos padrões definem as cores e como elas serão reproduzidas para a indústria de produção e transmissão de vídeo. Os mais usados nos dias de hoje são o BT.709, que é o padrão atual do HDTV, e o DCI-P3, que é o padrão para projeção digital de filmes.

Como os arquivos de vídeo não têm um perfil de cores associado, não faz sentido falar em caracterização de displays de vídeo, e sim em correção: as tabelas que estariam presentes em um perfil de cores são substituídas por tabelas de correção de cores.

Essas tabelas de correção de cores são chamadas de 3D LUTs (Three-Dimensional Look-Up Tables). O 3D significa que a tabela apresenta três dimensões, uma para cada cor RGB. São usadas para converter valores RGB diretamente em novas cores RGB.

O grande desafio do gerenciamento de cores para vídeo está no fato de que, apesar de existirem padrões bem definidos que determinam com precisão a aparência do vídeo digital, são inúmeras as tecnologias em monitores e televisores que não seguem exatamente esses padrões.

Esse é o principal problema para a fidelidade das cores na produção de vídeo, uma vez que o monitor usado como referência pelo colorista não necessariamente seguirá um padrão à risca.

A calibração de monitores de vídeo é similar à dos monitores de computador. Os parâmetros – semelhantes, mas não totalmente idênticos – são ajustados para aumentar a fidelidade das cores. Esses ajustes, presentes em monitores e projetores profissionais são: luminosidade, equilíbrio de branco, curva de tons de cinza e gamut de cores.

Luminosidade

A recomendação de uma luminosidade de 100 cd/m2 para a visualização de vídeos em ambiente escuro é seguida até hoje por grande parte do mercado. Em ambientes com iluminação residual em torno do monitor, recomenda-se 120 cd/m2.

Equilíbrio de branco

Há muita variação no equilíbrio de branco em aplicações de vídeo, principalmente em relação à região onde o vídeo será exibido. Na Europa e nas Américas, o padrão para HDTV é o D65. No Japão, por sua vez, o padrão é o D93, bem mais azulado.

Por fim, o espaço de cor DCI-P3 define que o projetor precisa ter definição de 6300K. Já que nas aplicações de vídeo o equilíbrio de branco é o do display de referência, a tonalidade do equilíbrio de branco do monitor tem de seguir o padrão desejado.

Tons de cinza

A maioria dos equipamentos profissionais de reprodução de vídeo permite ajustar a curva dos tons de cinza, mas esse controle é muito inferior àquele proporcionado pelas placas de vídeo dos computadores. Os monitores e projetores topo de linha, por sua vez, possuem controles tão avançados quanto os presentes em placas de vídeo.

Gamut de cores

A maioria dos equipamentos profissionais de reprodução de vídeo permite ajustes nas cores primárias e secundárias e, portanto, um certo controle sobre o gamut.

Colorpixel - Imagem do medidor e fita métrica para Colorímetro.3D LUTs

Embora seja possível fazer diversos ajustes nos monitores e projetores e, com isso, melhorar a qualidade da reprodução de vídeo, dificilmente obtém-se uma qualidade elevada apenas com os ajustes tradicionais.

A precisão nas cores exige o uso de tabelas de conversão, as 3D LUTs, que traduzem as cores definidas por um padrão para as cores específicas de um monitor ou projetor. 

Essas LUTs podem estar na plataforma de correção de cores – por exemplo, a DaVinci Resolve ou a Baselight –, em um equipamento específico para transformação de cores ou dentro de um monitor ou projetor topo de linha.

Somente com a criação de 3D LUTs específicas para os equipamentos de reprodução de vídeo é que se podem obter cores precisas, totalmente alinhadas com os padrões de transmissão digital de vídeo.

Podemos dizer que a criação de 3D LUTs equivale à criação de perfis de cor no gerenciamento de cores. Este trabalho também é feito por softwares especializados, com auxílio dos mesmos equipamentos de medição usados na calibração e caracterização de monitores de computador.

São geradas 3D LUTs que serão instaladas na plataforma de cores ou no equipamento especializado.

Um monitor calibrado é o segredo para resultados incríveis

Como você pode ver, calibrar o monitor é realmente o caminho para desenvolver projetos de qualidade e obter resultados incríveis. Trata-se de um processo necessário para profissionais criativos, como ilustradores, fotógrafos e coloristas de vídeo.

Usando-se o calibrador de monitor correto, como é o caso do colorímetro, é possível alcançar um padrão de exibição de cores perfeito para as suas necessidades.

Vale a pena investir em calibração?

Para responder a essa pergunta, precisamos analisar suas expectativas e seus interesses. Seu tempo e dinheiro são importantes? Em caso afirmativo, a calibração de monitor deve ser vista como algo essencial.
Os profissionais criativos e as empresas que atuam na área de design e fotografia ou prestam serviços gráficos investem muito em equipamentos, programas e acessórios para desenvolver seus projetos. Deixar de calibrar o monitor é como desperdiçar todo o investimento realizado.

Se o resultado após a impressão é distinto do resultado constatado visualmente durante a execução do projeto, o problema pode ser um monitor descalibrado, algo que pode ser facilmente resolvido através de um calibrador de monitor.